sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Ceci



Queria começar esse blog falando mais ou menos da idéia de como ele seria, ou pelo menos, de como poderia ser (aberto a novas propostas). Essa idéia de falar sobre as fotografias surgiu espontaneamente, mas apesar disso, há livros e estudo sobre o uso da imagem como meio de informar e captar algo do meio, principalmente o que diz respeito a Antropologia Visual e Social. Mas acho que não há necessidade de ter esse peso científico em cima de uma coisa que pretende ser tão informal, espontânea e prazerosa pra quem quiser contribuir. Pra quem quiser ler alguma coisa sobre, tem um livro chamado "Desafios da imagem. Fotografia, iconografia e ví­deo nas ciências sociais" organizado por Bela Feldman-Bianco e Míriam L. Moreira Leite, é uma coleção de textos sobre o assunto, com alguns exemplos de utilização de fotografias para contar o contexto de um local.

Voltando à imagem, essa é uma foto que eu tirei no quintal da casa 8, na Moradia. Minha bicicleta (Caloi Ceci) estava inteira ainda, hoje não restou muitas coisas dela, os pedais, os pneus, a cestinha, a garupa, o banco, todos já foram trocados ou tirados por terem quebrado. A bicicleta de trás é do pik e da Cleo. Quando cheguei na casa a primeira vontade que tive foi de pegar essa bicicleta pra conhecer Marília, graças ao Bob que se mudou de vez pra cá a minha bicicleta pode vir junto na mudança, junto com ela veio meu violão também. Muitas coisas que aparecem na foto não estão mais lá no quintal, inclusive as duas bicicletas; como é de tradição, minha bicicleta continua quebrada. aquela bacia com roupas de molho eu lembro que virou um vaso de plantas depois, o tanque velho deve ter ido para o lixo e aquele filtro, que virou vaso também, que está vitrô acho que ainda está lá. A caixa de papelão devia estar esperando o saco de lixo, logo depois eu descobri que a faculdade dá os sacos de lixo. Quando entrei na casa me deparei com um pessoal que já estava há mais tempo em Marília, no máximo a Marcia e o Garça estavam no segundo ano ainda, mesmo assim tinham história pra conta de um ano antes. Acho que essa foto simboliza o que eu achava que ia ser a casa 8 pra sempre, que sempre haveria as mesmas pessoas morando lá, na época convivi bastante tempo com o pessoal que morava lá, hoje em dia não passamos mais tanto tempo juntos assim. A ceci e o ceci estavam em épocas diferentes...

A fotografia em si talvez não diga tanta coisa simultaneamente quanto podemos lembrar quando olhamos para ela, é um desafio falar sobre si mesmo para outras pessoas, a imagem pode ser um "olho-mágico" para uma realidade que foi vivida no passado. Não existe uma forma padrão de se relatar uma fotografia, assim como não são homogêneo os sentimentos que passamos, mas as lembranças são passíveis de serem comunicadas, espero que entendam a proposta do blog e da forma de conviver com as fotos, e que sempre esteja aberto o espaço para novas propostas.!

2 comentários:

  1. Caralho véio, esse seu post, mais do q individial, ele ganha uma dimensão coleiva, a foto é sua, a história é sua, mas experiencias sempre são comparilhadas, eu lembro que eu tinha sensações parecidas qdo cheguei lá, eu naum tinha uma bicicleta, mas tinhas pesoas q conviviam o cotidiano, sei-la, hoje eu enho saudades.

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  2. então quando vi essa foto pensei ah que foda minha bicicleta é parecida com essa mas ta enteira hehe
    pensei mais duas coisas também:
    primeiro que essa bicicleta, ou seja, o modelo me fez lembrar das famosas bicicletas do grupo provos. um grupo que surgiu em amnsterdãn por volta de 64 e durou até 67 o qual tinha a proposta de através de happenings fazer intervenções políticas. e uma dessas foi deixar bicicletas brancas por volta do centro da cidade em protesto ao uso de carros que traziam poluição e atropelamentos. quer dizer a imagem tem dentre várias capacidades nos fazer viver lugares, ou conhecer coisas, que nós não tinhamos visto ou conhecido. aliado a escrita nos faz experenciar mais proximamente um momento histórico, social ou simplesmente individual. Essa bicicleta não necessariamente o que estava escrito aliado ao que eu conhecia do grupo me fez "lembrar" e "experenciar".
    a outra coisa foi que a imagem e a história contada pelo dono do blog e dessa bicicleta me fez lembrar da história da minha. que está inteira por enquanto. foi uma bike de um cara chamado tramela que deu para uma mina chamada juliet e que me (ven)deu. daí lembrei dessa pessoa a ju, do ano que estudamos juntos, das festas, conversas, almoços, brigas e conciliaçoes entre nós e entre nós e os outros da casa. Uma pessoa que me possibilitou oportunidades de viagens, idéias, experiencias de vida que só me ajudaram a conhecer duma outra forma por uma outra "perspectiva" o mundo, as pessoas e eu mesmo.
    bem a imagem tem essa capacidade, a da lembrança, a da recordação. mesmo que não seja a intensão de quem produziu. poís se uma imagem tem potencial esse potencial é de ser lido de várias formas, de ser ou não associada, de ser querida ou apenas descartada. deixada de lado ou utilizada para fins diversos. Essa imagem me trouxe lembraças, me fez reviver, mas ao mesmo tempo me projetar no momento histórico dela e principalmente no meu, na minha atualidade.

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